Porto Seguro (BA) recebe quinto módulo do curso Educar para Reparar com aula pública, lançamento de livro e atividades culturais
Equipe do curso avalia o momento como um sucesso e reforça a importância de iniciativas que conectem a academia com a população trabalhadora.
Na última terça-feira (26), o Centro de Cultura de Porto Seguro, no Sul da Bahia, sediou o quinto módulo do curso Educar para Reparar: Orçamento Público e Educação Antirracista. Com o tema “Gestão Escolar e Equidade”, o encontro reuniu estudantes, educadores, gestores públicos, ativistas e integrantes de movimentos sociais em um momento de intenso diálogo sobre educação antirracista, orçamento público e reparação histórica.
O módulo contou com a presença remota da professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, referência nacional na área de educação para relações raciais e relatora do parecer que regulamenta a Lei 10.639/03, que instituiu o ensino da história da África e da cultura afro-brasileira nas escolas. Para os cursistas, o conteúdo será complementado por uma aula da professora Cléa Maria, pedagoga pela UFBA e doutora em Educação pela PUC-Rio, que já está disponível na plataforma AVA, onde ela aborda a gestão escolar como ferramenta para garantir equidade e participação social.
O público presente no Centro de Cultura de Porto Seguro também acompanhou uma palestra do professor doutor e coordenador do Grupo de Pesquisa Pensamento Negro Contemporâneo (PNC), que promove o curso, Richard Santos.
Epaminondas Castro, integrante da equipe pedagógica do Educar para Reparar, avalia a presença da iniciativa em Porto Seguro como um sucesso. Ele chama atenção para a qualidade do púbico, que acompanhou a programação com ouvido e olhares atentos e interessados, e para a adesão da aula pública, que contou com participantes dos municípios circunvizinhos, comunidade acadêmica, da educação pública local, do movimento negro e da imprensa.
“O resultado foi muito positivo, e fica uma sensação de quero mais. Porque quando falamos de educar para reparar, numa perspectiva de financiamento e educação antirracista, diante de todo o histórico do nosso país, não dá para pensar em algo pontual. É preciso ter uma permeabilidade em todos os segmentos sociais, para tornar isso uma pauta pública. Tem valido a pena, e o curso continua”, afirma.
Epaminondas, que é professor da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, ressalta ainda o caráter híbrido e inclusivo do curso.
“O curso foi promovido com a perspectiva híbrida, com aulas públicas presenciais e interação remota, o conteúdo disponível em tempo integral, para que as pessoas, sobretudo trabalhadores, pudessem acessar. O curso também foi pensado com a perspectiva de participação popular. Tivemos todo um cuidado para que a linguagem permitisse que pessoas com níveis de escolaridade diferente pudessem participar. É uma proposta que tem como eixo a descentralização da universidade, dos seus campis, e acessando as comunidades que estão inseridas e precisando dessa interação social.”
O curso, promovido pelo PNC em parceria com a UNEGRO e com apoio da SECADI/MEC, visa formar mil agentes multiplicadores da educação antirracista, oferecendo ferramentas teóricas e práticas para compreender como o orçamento público impacta as desigualdades raciais.
Comunicação em disputa: o lançamento do novo livro de Richard Santos
Logo após a conferência, o professor Richard Santos, lançou seu novo livro Comunicação em Disputa: A Luta pelo Imaginário da América Latina na Era Trump. A obra investiga como a hegemonia midiática, os algoritmos e o colonialismo digital moldam o imaginário social e reforçam desigualdades raciais e políticas, propondo uma comunicação comprometida com a justiça social e a reparação histórica.
Para ele, o lançamento do livro, no contexto do Módulo V do curso Educar para Reparar, representou um momento de síntese entre a reflexão acadêmica, a vivência comunitária e a expressão cultural.
“A calorosa recepção do público, com retorno carinhoso e sincero sobre a obra, adensou ainda mais essa percepção: não se tratou apenas de um lançamento literário, mas de um ato coletivo de pertencimento, no qual universidade, comunidade e cultura popular se encontraram para afirmar um mesmo horizonte de reparação e transformação social”, destacou.
A noite chegou ao fim celebrando a cultura negra e popular com apresentações que reforçaram a ideia de uma universidade conectada à comunidade. O público assistiu a apresentações de poesia com Purusha, batalha de rimas com Mega e Kms, e música com Trauma MC. Momento que Richard observa como um diálogo direto com a ideia de uma universidade sem muros, que não se fecha em fronteiras institucionais, mas se expande no encontro plural de saberes, linguagens e trajetórias.
“Essa experiência consolidou a concepção de que a pluralidade é força constitutiva da educação, pois nos torna mais amplos, mais fortes e profundamente enraizados no território”, finaliza.
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