Coleção: Pensamento Negro Contemporâneo
Há muito que ativistas sociais, acadêmicos e intelectuais dos dois lados desse grande rio chamado atlântico têm-se debruçado a analisar as consequências dos fluxos e refluxos culturais desde a conformação social do que chamamos Brasil em sua relação com o continente africano. Análises feitas intramuros acadêmicos e sem forte relação com as comunidades envolvidas têm sido questionadas por essa Maioria Minorizada como trata Richard Santos. Cansados de serem Sujeitos Desidentificados, resolvem produzir seus escritos e publicar suas visões de mundo. O livro propõe um novo olhar para o continente africano e faz a crítica das abordagens sobre este continente na televisão brasileira, trazendo uma profunda análise da programação da TV pública como ilustrativa dessa Branquitude televisiva.
Segundo a cantora e deputada Leci Brandão: neste livro, Richard Santos nos apresenta “Maioria Minorizada” como um conceito teórico, uma ferramenta de análise que nos dá a grata oportunidade de subverter nosso modo de pensar sobre nós mesmos, o país em que vivemos e as relações sociais nele construídas que fazem com que, apesar de sermos maioria numericamente, sejamos percebidos como minoria. Expõe a mídia como um dos fatores que alimentam a estrutura racista e desigual de nossa sociedade, impondo não apenas um padrão estético, mas também uma forma de pensar, um modo de produzir conhecimento, um jeito de ser e de viver branco que nos coloca, enquanto população negra, à margem dos direitos e da cidadania plena.
Ao lermos o texto que segue, intuímos que o movimento de escritura – do desvelamento da racialidade do discurso da modernidade jurídica constitucional ao estudo da experiência constitucional haitiana – pressupôs um cruzamento de interdisciplinaridade, giro epistemológico e trajetória. […] A professora Maria do Carmo generosamente fornece um farol à teoria do Direito Constitucional, ao passo em que, além de apresentar a experiência constitucional haitiana revolucionária, desenha um percurso de pesquisa que pode servir a desvelamentos de outras experiências constitucionais.
(…) Fora da lei: uma incursão sobre a Lei 10.639/03 em três experiências de gestão pública no Território de Identidade da Costa do Descobrimento, é um manifesto acadêmico exaustivamente costurado por método, teoria e chão da escola. Manifesto esse que alude ao Encontro de Saberes e nos apresenta caminhos de efetiva aplicação da lei 10.639/03 num espaço territorial drenado, constituído por um secular histórico de disputas coloniais, apagamento físico, intelectual e corporal da Maioria Minorizada em seu território. E. Castro, que apresenta a arma da teoria, como “um homem povo”, de sua práxis radical, almeja uma sociedade nova e justa como diria Amílcar Cabral o líder independentista da Guiné-Bissau e Cabo Verde que através da educomunicação e da linha do não ser à Fanon transpassou a linha do ser e nos legou metodologia descolonial possível de ser encontrada nesta obra do insurgente pesquisador e ator social que é E. Castro e sua importância para o extremo-sul baiano, notadamente para Porto Seguro e região. (…)
Professor Dr. Richard Santos – UFSB.
Apresentar o trabalho Guiné-Bissau: da independência colonial à dependência da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento é para mim um compromisso e uma satisfação, uma vez que acompanhei praticamente toda a sua construção por mais de cinco anos! Seu conteúdo contribui significativamente para a literatura sobre a cooperação Sul–Sul, emancipação colonial e história da Guiné-Bissau, assim como o processo de recolonização pela cooperação internacional.
Por meio de um árduo e meticuloso trabalho de investigação e análise a autora provoca e motiva o leitor a refletir sobre os contextos que levaram a Guiné-Bissau, com suas estratégias de luta pela independência, a se tornar uma república das mais bem-sucedidas e reconhecidas, atingindo um cenário sincrético de recolonização pela cooperação internacional.
Como a própria autora afirma “esse trabalho cria sentidos, significados e representações”, portanto aproveite essa leitura para fazer a sua releitura.
Prof. Dr. Umberto Euzebio
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sociedade e Cooperação Internacional da Universidade de Brasília.
Este livro reflete sobre os conhecimentos tradicionais do Candomblé Congo-Angola e a filosofia dos Bantu, a partir de sua estrutura social/política/filosófica/estética/sagrada, enquanto inspiração poética para concater processos de ensinagens e outras acepções escolares, considerando a circularidade como base conceitual através de uma perspectiva pluriversal, integralizadora de experiência viva do corpo e para o corpo.
Este trabalho tem o objetivo de conhecer e analisar criticamente através da coleta de relatos de vida, a análise interseccional de categorias como escolarização e atuação profissional junto às identidades raciais e de gênero de professoras negras do Município de Porto Seguro – BA, a fim de perceber a relação que essas vivências têm com fazeres pedagógicos. No Brasil, há uma maior participação das mulheres no campo educacional. Dessa forma, utilizaremos o recorte de raça e gênero para analisar tais trajetórias e como esses marcadores influenciam nas suas formações. Realizamos entrevistas com as professoras da região para cotejar essa perspectiva. Como metodologia, selecionamos três professoras para a pesquisa e através da análise do discurso produzido por essas mulheres, buscaremos compreender seus processos de formação e fazeres pedagógicos que possam contribuir para a efetivação da lei 10.639/03.
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Série Racismo Estrutural