Professor Richard Santos participa da reunião inaugural do Comitê Internacional de Acompanhamento das Recomendações do 9º Congresso Pan-Africano

 

O professor Richard Santos, docente da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e coordenador do Grupo de Pesquisa Pensamento Negro Contemporâneo, participou no último dia 13 de março de 2026 da reunião inaugural do Comitê de Acompanhamento da Implementação das Recomendações do 9º Congresso Pan-Africano, instância internacional criada para monitorar e impulsionar a implementação das resoluções aprovadas durante o congresso realizado em dezembro de 2025, em Lomé, capital do Togo.

O comitê é liderado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Africana do Togo, Prof. Robert Dussey, que conduziu a reunião de instalação do grupo, reunindo intelectuais, lideranças políticas e ativistas de diferentes países africanos e da diáspora. Ao todo, 15 membros compõem o Comitê de Monitoramento, responsável por acompanhar a implementação das recomendações contidas na Declaração de Lomé, documento que orienta uma nova etapa de cooperação panafricanista entre o continente africano e suas diásporas globais.

Durante o encontro foram discutidos temas centrais para a agenda contemporânea do pan-africanismo, incluindo os mecanismos institucionais de acompanhamento das recomendações do congresso, estratégias de cooperação entre governos, universidades e organizações da sociedade civil, bem como iniciativas voltadas ao fortalecimento da diplomacia cultural, da integração intelectual entre África e diásporas e da construção de novas formas de cooperação Sul-Sul.

Em sua intervenção, o professor Richard Santos destacou a importância da participação ativa da diáspora africana nas Américas nesse processo. Falando a partir do Brasil e, em particular, da Bahia — um dos territórios afro-diaspóricos mais significativos do mundo —, o pesquisador enfatizou que a implementação das recomendações do Congresso representa uma oportunidade histórica para aprofundar as conexões intelectuais, culturais e políticas entre África e América Latina.

Segundo o professor, a renovação do pan-africanismo no século XXI deve ser compreendida também como uma estratégia geopolítica e civilizacional para o Sul Global, capaz de articular cooperação cultural, produção de conhecimento e inovação a partir das experiências históricas compartilhadas entre o continente africano e suas diásporas. Nesse sentido, ressaltou que o Brasil, e especialmente a Bahia, constituem espaços privilegiados para o fortalecimento dessas pontes intercontinentais.

O docente brasileiro também manifestou apoio à ampliação da articulação institucional entre o Comitê e a União Africana, reforçando a importância de consolidar mecanismos de cooperação que integrem governos, instituições acadêmicas e redes culturais africanas e afrodiaspóricas.

Do continente americano participaram da reunião, além do professor Richard Santos, a ex-vice-presidenta da Costa Rica, Epsy Campbell Barr — importante liderança política do Caribe e da diáspora africana nas Américas — e Vanda Menezes, integrante da Rede de Mulheres Negras de Alagoas, organização que atua na promoção de direitos e na articulação política das mulheres negras no Brasil.

Do lado africano, além da representação institucional do governo do Togo, participaram diversos intelectuais e ativistas de diferentes países do continente. Entre eles destaca-se a presença da Dra. Naledi Pandor, da Nelson Mandela Foundation, da África do Sul, ex-Ministra das Relações Internacionais e Cooperação daquele país e uma das mais respeitadas lideranças intelectuais e diplomáticas do continente. Também integra o comitê o Prof. Franklin Nyamsi, filósofo e ensaísta nascido em Camarões, professor de filosofia política formado na tradição acadêmica francesa e conhecido por sua atuação nos debates contemporâneos sobre soberania africana, pensamento panafricanista e relações internacionais.

Ao final da reunião, ficou definido que o Comitê se reunirá ordinariamente quatro vezes ao ano, podendo realizar reuniões extraordinárias sempre que convocadas por seus membros ou pela coordenação do grupo.

Entre as ideias debatidas durante o encontro destacou-se ainda a proposta de criação de um Ano Novo Africano e Afrodiaspórico, uma iniciativa simbólica e política destinada a afirmar a autonomia civilizacional africana e a fortalecer os laços culturais entre o continente e suas diásporas globais. A proposta busca construir uma referência temporal própria, à semelhança de outras tradições civilizacionais, como o Ano Novo Chinês ou o Nowruz persa, contribuindo para reforçar a identidade cultural e histórica do mundo africano.

Para o professor Richard Santos, essa proposta representa um passo importante na construção de uma nova imaginação panafricanista global, capaz de articular África e diásporas em torno de um projeto comum de cooperação, memória histórica e desenvolvimento compartilhado.

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