GP-PNC fortalece presença internacional em agenda estratégica sobre África e diáspora no Festival Akwaaba
O Grupo de Pesquisa Pensamento Negro Contemporâneo (GP-PNC/UFSB) ampliou sua inserção internacional nas relações entre Brasil e África a partir da participação de seu coordenador, o professor e pesquisador Richard Santos, no Festival Akwaaba, realizado em São Paulo e promovido pela Fundação Cultural Palmares. O evento reuniu representantes diplomáticos, intelectuais, gestores públicos, artistas, pesquisadores, lideranças históricas do movimento negro e representantes da diáspora africana em torno dos debates sobre pan-africanismo, reparações, diplomacia cultural, memória e cooperação Sul-Sul.
A participação do GP-PNC no Festival Akwaaba consolida a crescente projeção internacional do grupo de pesquisa no campo dos estudos afro-diaspóricos, das relações África-Brasil e das discussões contemporâneas sobre soberania, desenvolvimento e justiça racial. O festival ocorreu em um momento particularmente estratégico para o fortalecimento das agendas pan-africanistas internacionais, dialogando diretamente com os debates impulsionados pela União Africana no contexto da Década das Raízes Africanas e da Diáspora Africana (2021-2031) e das articulações internacionais vinculadas ao 9º Congresso Pan-Africano de Lomé.
Richard Santos participou da abertura oficial do Festival Akwaaba ao lado de importantes autoridades e referências históricas das lutas negras brasileiras, entre elas o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues; o jornalista e conselheiro do Museu Afro Brasil Emanoel Araújo, Maurício Pestana; representantes do Ministério das Relações Exteriores; e integrantes do Ministério da Igualdade Racial. A abertura do evento reafirmou a centralidade da cultura afro-brasileira e das conexões afro-diaspóricas na construção de novas agendas políticas e diplomáticas para o Sul Global.
Além da participação institucional na abertura, Richard Santos integrou o painel “Políticas na Diáspora Africana, Conexões, Reparações, Restituições”, realizado no Dia da África — ou, como destacou durante sua intervenção, no “Dia das Áfricas”, reconhecendo a pluralidade histórica, cultural e civilizatória das experiências africanas e afro-diaspóricas. A mesa reuniu importantes referências do movimento negro brasileiro, entre elas Gilberto Leal, Isaura Genoveva, Samuel Azevedo e Raimundo Bujão.
Durante sua fala, o coordenador do GP-PNC abordou os desafios contemporâneos do pan-africanismo e os processos de reorganização geopolítica em curso no continente africano e em suas diásporas. A apresentação dialogou com temas como a Conferência Internacional sobre os Crimes do Colonialismo na África, realizada em Argel, a Declaração de Argel, os debates preparatórios do Congresso Pan-Africano de Lomé e as transformações políticas recentes em países como Gana, Nigéria, Angola, Burkina Faso, Mali e Níger.
Richard Santos também apresentou o conceito de “economia da reparação”, desenvolvido em suas pesquisas, compreendendo as reparações não apenas como reconhecimento moral da violência colonial, mas como estratégia de reorganização econômica, diplomática, tecnológica e cultural entre África e diáspora africana. A abordagem destacou a necessidade de fortalecimento das relações Sul-Sul, da circulação internacional de conhecimento afro-diaspórico, da soberania tecnológica e da redistribuição global de poder.
A presença do GP-PNC no Festival Akwaaba reforça a consolidação do grupo enquanto espaço estratégico de produção intelectual, articulação acadêmica e formulação política no campo do pensamento negro contemporâneo. Nos últimos anos, o grupo vem ampliando suas conexões internacionais através de pesquisas, publicações, seminários, cooperações institucionais e participação em agendas internacionais relacionadas ao pan-africanismo, às relações raciais e à justiça global.
O Festival Akwaaba também evidenciou o crescente reconhecimento da Bahia e do Brasil como territórios estratégicos nas articulações entre África e diáspora. Esse movimento dialoga diretamente com a realização da Conferência da Diáspora Africana em Salvador, em 2024, evento que consolidou a capital baiana como importante polo internacional das discussões afro-diaspóricas contemporâneas.
Segundo Richard Santos, “talvez estejamos assistindo ao momento histórico em que África e diáspora deixam de ocupar apenas o lugar de territórios marcados pela extração colonial e passam a se constituir como sujeitos ativos da reorganização do mundo multipolar”.
A íntegra da participação do coordenador do GP-PNC no Festival Akwaaba será disponibilizada em breve nas plataformas do Grupo de Pesquisa Pensamento Negro Contemporâneo.
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